19 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - Dia III

No terceiro dia de maratona de curtas metragens, muitas boas surpresas me apareceram.
Brinquedo Novo - Sessão Infantil 1
Foi o caso do curta brasileiro Brinquedo Novo (sessão infantil 1) que representa a visão de um bebê aos poucos perdendo o interesse no seu brinquedo novo. O curta é bem legal e trata o assunto do descarte de forma muito simpática e inteligente.

Caminho de Água para um Peixe - Sessão Infantil 3
Ainda nessa vibe sustentável um outro curta que empolgou principalmente na trilha sonora foi Caminho de Água para um Peixe (Curtas Infantis 3) que conta as aventuras de um garotinho numa vila que tenta salvar um peixe de morrer fora da água. A Direção de arte do curta é primorosa nessa co-produção entre Espanha e Colômbia.

Outro destaque da sessão Infantil 3 é o excelente Sr. Noite tira um dia de folga. A história do Sr noite brincando de escurecer várias coisas, animais e lugares durante o dia. O curta brinca 2D, ação ao Vivo e Stop Motion de objetos e considerei um dos melhores que assisti no festival.
Sr. Noite Tira um dia de Folga - Infantil 3

Falando em Stop Motion. Negative Space (Sessão Curtas 1) tem uma excelente história sobre um jovem rapaz e a relação que estabeleceu com seu pai através do hábito de arrumar as malas. A animação em stop motion super flúida dá um toque especial a este curta Francês.

Negative Space - Sessão Curtas 1
Meli-Metro - Sessão Curtas 11
A França está bem destacada nessa Anima Mundi. muitos dos curtas citados são de lá, assim como Meli-Metro (Sessão Curtas 11). Curta que, como pai de uma menina de um ano e meio, me senti completamente identificado. A história é algo bem corriqueiro e comum. Um pai com sua filha fazendo manha no metrô acaba se tornando o assunto de todos os palpiteiros e entendidos na vida alheia. Todos os perfis estão lá - A pedagoga, o incomodado, a mãe de três filhos, o doutor em psicologia soltando citações... tudo para dizer ao pai como ele deveria conduzir aquela situação com a filha. Pais certamente vão dar uma ótima nota no juri popular.

Mr. Madila - Sessão Curtas 9
O Reino Unido também mandou bem em curtas como o documentário animado (fake) Mr. Madila (Sessão curtas 9) que é uma entrevista do animador com um guru, gênio, faz tudo engraçadissimo. Não saia da sala até o final pois até a leitura dos créditos vai fazer rir bastante.

E a coreia do Sul ficou bem representada também no curta The Wrestler (Sessão curtas 9). Talvez não seja um curta que impressione pela história e nem agrade o público como um todo. Porém a animação e a expressividade dos personagens nessa cena de luta é fantástica com referências a ilustração e pintura coreanos trazendo claramente um destaque do referido país aos outros produtores de animação orientais.

The Wrestler - Sessão Curtas 9
Por último queria destacar o curta chileno Here´s the plan (curtas 10) que trata de uma forma muito delicada o assunto da dicotomia da vida de casados com as conquistas e carreiras individuais. É um curta que faz pensar muito numa sociedade onde a palavra "eu" acaba falando muito mais alto do que "nós" e como essa postura acaba nos isolando e deixando-nos abandonar a nós mesmos. Também entrou no Hall dos meus curtas favoritos desse festival.

Here´s The Plan - Sessão Curtas 10
E assim encerro a rodada entre as sessões competitivas do festival. Um Recorde meu de assistir 18 sessões em 3 dias, (6 horas dentro de uma sala de cinema por dia). Quando você vai se acostumando a frequentar o festival, dias assim se tornam comuns. Mas não acaba aí. Ainda temos papos animados, anima fórum e muitas coisas que vão rolar nos outros dias de anima. Você pode aproveitar e pegar essas dicas já que até domingo essas sessões vão se repetir pelo menos uma vez.

E vamos que vamos!

17 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - II


Segundo dia de maratona do festival mais animado da América Latina. Mais um dia inteirinho no ODEON no Rio de Janeiro.

Surpresa - Sessão Curtas 7
Deste segundo dia, me surpreendi com a forma gentil que assuntos graves foram tratados de forma bem leve. Um deles foi o curta Supresa (Curtas 7) que é feito em cima de uma gravação real entre uma mãe e sua filha com câncer. O depoimento da menina ia sendo animado a medida que o curta vai evoluindo. Apesar do assunto parecer pesado, a narrativa acontece de forma leve, agradável e muito bonita, tornando esse um dos curtas mais significativos pra mim deste festival.

Outros dois curtas passaram em sessões infantis diferentes e trataram um assunto histórico muito grave de forma bem leve. são os curtas Chika, o Cachorro no Gueto (Infantil 5) e o "quase longa metragem" Férias Muito Muito Grandes (Infantil 7) que trataram da segunda guerra mundial, do nazismo e da perseguição aos Judeus. 
Chika, o Cachorro no Gueto - Sessão Infantil 5
O primeiro é um curta em Stop Motion que fala da relação entre o cachorro Chika e seu dono, um menino Judeus de cinco anos que é ajudado a crescer no Gueto de uma cidade polonesa em plena segunda guerra. A narrativa trata os medos do menino de forma muito delicada, focando mais nos medos e receios do pequeno. 

Férias Muito Muito Grandes - Sessão Infantil 7
No segundo, um filme de 50 minutos o espírito é mais de aventura. Um grupo de crianças vai passar as férias na Normandia no Verão de 39 e acabam ficando lá por mais de cinco anos devido a invasão na França pelo exército alemão. Juntas as crianças formam um grupo que ajuda a resistëncia do vilarejo contra os soldados alemães. O Filme tem técnica mista de 2D com 3D apresentados de forma bem equilibrada que mal dá pra distinguir as técnicas no filme. O Design das personagens tem um traço retrô, num estilo que lembra muito o do quadrinista belga Hergé, criador do Tintin. Apesar de grande, o filme agrada o público e ainda deixa um gosto de "Quero mais" no final. Fica o recado pra diretoria do Festival que queremos ver a continuação ;).

Escapada Espacial - Sessão Infantil 6
Por falar em estilo retrô, três dos curtas brasileiros que vi hoje pegaram muito bem esse espírito. Dois deles remetendo aos games da era dos 8 bits dos anos oitenta e noventa. É o caso de Escapada Espacial (Infantil 6) e A Vocação (Infantil 7). O primeiro fazendo uma referência aos jogos do Estilo Plataforma e o segundo fazendo referências às famosas classes de personagens de jogos de estilo RPG e Estratégia.

O terceiro filme brasileiro que remeteu ao retrô foi o documentário animado Sob o véu da Vida Oceânica (Curtas 5) que fala da vida de um pequeno ser aquático e seu tempo de duração de 6 minutos. O curta tem um timing divertídissimo, animado em 2D com uma clássica referência a animação moderna da década de 50 lembrando o estilo da UPA com personagens mais geometrizados e simplificados.
Sob o véu da vida oceânica - Sessão Curtas  5

Essa influência dos anos 50 da animação 2D da UPA ainda é notada no divertidíssimo Bullet Time (Curtas 7), um faroeste que conta a história entre duas balas em meio a um duelo entre dois Cowboys.

E fechando essa relação de curtas mais divertidos, me impressionei com Our Wonderful Nature - The Common Chameleon (Curtas 8) e não foi pelo 3D bem modelado, do cenário realista ou do roteiro engraçado. Mas por ser um excelente exemplo de como muitas vezes menos pode ser mais. O curta tem apenas uma cena com uma única tomada de câmera com 3 ações distintas. Mesmo não mudando ângulo o filme de 3 minutos diverte e agradou todo o público que assistia a sessão no Odeon.

Bullet Time - Sessão Curtas 7

Our Wonderful Nature - The Common Chameleon - Sessão Curtas 8
Continuo destacando o equilíbrio das sessões do festival. Todas com excelente qualidade. Afinal de contas são 25 de Anima Mundi. Experiência no assunto eles tem e muita. Até mais!

16 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - I


Mais uma jornada animada que agora completa 25 anos. E depois de tantos anos talvez eu pense em mudar um pouco a forma de redigir esse diário. Ao invés de falar sessão a sessão e seus destaques vou diretamente naqueles curtas que me surpreenderam e se destacaram neste meu primeiro dia de Festival. Fiquem tranquilos que será acompanhado da sessão onde ele está.

Estou com fome de criança - Sessão infantil 4
Confesso que corri para chegar no festival e deixei de almoçar. Por isso estava com fome na primeira sessão. Tão faminto quanto o pequeno Jacaré do curta "Estou com fome de Criança" (Infantil 4) e o fato da animação ter sido produzida com desenhos feitos com sementes e comida só aumentou o apetite.Mas a fome deu um tempo quando suspirava pra ver a qualidade do trabalho do pessoal da UFMG com o curta "Diário de areia" (Infantil 4), uma aventura incrível de uma Guardiã dos sonhos que quer proteger sua irmã dos terríveis pesadelos. A qualidade da direção de arte é impressionante e deu um gosto de "quero mais". Espero que se torne uma série.

Toine - Sessão Infantil 2
E no meio de tantas pérolas também assisti "Toine" (Infantil 4). Uma história de um fazendeiro que tem problemas para administrar sua fazenda por estar com o pé quebrado. A simplicidade do traço e a forma dos personagens geometrizados com poucos elementos de cena são um destaque dessa produção. Simplicidade essa que  também se encontra no curta Aport (Infantil 2). um curta realmente curta que mostra a diversão de pequenos cachorros com uma bola. 

Mas dos filmes infantis do dia, quem me conquistou foi o filme "Dois Bondes" (Infantil 2) que junta Animação 2D com Stop Motion e que também se destaca na concepção dos dois protagonistas. A Forma como eles aparecem bidimensionalizados num espaço tridimensional. Um show de concept art e direção de arte.
Dois Bondes - Sessão Infantil 2
Les Deimoselles d'Ovalie - Sessão Curtas 4

Terminadas as sessões infantis fomos para os filmes pro público um pouco mais velho e aí assisti um excelente curta que junta duas coisas que adoro: Animação 2D e Rugby. Trata-se do curta francês Les Deimoselles d'Ovalie (Curtas 4). Além de tudo o curta é do francês Laurent Kircher, velho conhecido do festival e dos fãs de animação em trabalhos como O Mágico e As Biciletas de Belleville. Os personagens caricatos muito marcantes alinhados a uma animação primorosa e um timing pro humor sensacional (marca registrada deste francês) colocam o curta como um dos favoritos do festival. E no final da sessão é impossível não rir com o curta Brasileiro Macaco Albino:Pimenta (Curtas 4)que conta as desventuras de um fã da iguaria picante.

Revolting Rhymes - Sessão Curtas 6
Nessa maratona animada que foi hoje uma suspeita felizmente não se confirmou. Entre tantos curtas, um filme de meia hora. Quando aparece um filme assim a gente até se prepara que pode vir aqueles curtas arrastaaaaados, cansativos mas que nada! Revolting Rhymes (Curtas 6) é uma excelente história! Uma releitura dos clássicos contos de fada mas misturando todos eles e com uma pegada bem mais adulta. De repente a meia hora passou e eu achei que tinham sido só 5 minutos.

Última Chamada - Sessão Curtas 2
Quando eu achava que depois de tantos filmes ia me cansar veio uma das sessões mais simpáticas do festival (ainda falta mas arrisco dizer que a Curtas 2 deve ser a que mais vai agradar o público em geral). Temos na sessão o Argentino Juan Pablo Zaramella com uma compilação de episódios de "El hombre mas chiquito del mundo" com as dificuldades no dia a dia de um homem com menos de 10 centimetros de altura e o maravilhoso "Ültima Chamada" da portuguesa Sara Barbas que dá aquele tempero especial sobre encontros, desencontros nos nossos relacionamentos. Com um bom roteiro e excelente design das personagens com impressionane apelo, a animação com baixo framerate (poucos quadros por segundo) veio coroar a produção dando um ritmo muito agradável.

Scrambled - Sessão curtas 3
Falando em apelo. Alguém ja imaginou um cubo mágico conquistar o público por sua graça e simpatia? Pois bem... o curta "Scrambled" (Curtas 3) fez isso com maestria e não vou contar mais a respeito disso pra não estragar. Assim como o sensacional final do curta Chickens que dá uma nova leitura sobre o termo "deixaram um bode na sala"(no caso é um elefante mas tudo bem). Aliás... a sessão curtas 3, a última da noite tem uma temática bem feminina.

E esse então foi o primeiro dia com curtas muito bons. As sessões do festival estão bem equilibradas e muito, muito boas. Vale a pena conferir!

15 de julho de 2017

Anima Mundi terá plataforma de vídeos on Demand

Uma das novidades mais legais desses 25 anos de Anima Mundi acabou de ser anunciada na Cerimônia de Abertura do Festival: Vem aí o Anima Mundi On.

Trata-se de um serviço de vídeos on demand que oferecerá parte do acervo desses 25 anos de Festival. Com isso será possível assistir aquele curta metragem que você amou no Anima Mundi e não consegue mais encontrar em lugar algum. 

Segundo César Coelho, um dos diretores do festival, será possível assistir aos curtas separadamente ou em programações montadas pela curadoria do Anima Mundi. O diretor também comentou que o acervo será atualizado aos poucos (Faz sentido. Afinal são 25 anos de Festival né gente?)

O serviço está previsto para começar em novembro mas o site ja está no ar e convidando a quem quiser fazer um pré-cadastro que dá direito a um mês grátis de uso. (Clique aqui para se cadastrar).

Segue o vídeo de apresentação do Anima Mundi On apresentado hoje no festival.

13 de julho de 2017

Vem aí o livro Trajetória do cinema de animação no Brasil

Alegrai-vos animadores! Temos um novo projeto para falar da animação brasileira nesse centenário!

Se trata do livro Trajetória do cinema de animação no Brasil. Um projeto feito por uma animadora chamada Ana Flávia Marcheti que faz uma viagem pelos 100 anos de animação do Brasil mostrando a processo criativo envolvido na produção de diversos curtas: Desde o Kaiser de 1917 até as produções atuais feitas para o Cinema e a TV.



O projeto foi acompanhado por diversos responsáveis da área, revisado e mobilizou todos os animadores, estudantes de animação e fãs da arte animada via crowndfunding e será lançado no próximo dia 18 no durante o Anima Mundi. Para conhecer melhor o projeto entrevistamos a idealizadora Ana Flávia Marcheti. Para conhecer mais sobre o projeto, visite a fan page do livro no Facebook.

Como surgiu a idéia de fazer o livro?
A vontade surgiu quando estava na metade do curso de Design e descobri que existia mercado de animação no Brasil. Foi quando fui a primeira vez no Anima Mundi também, em 2012. Eu sempre quis trabalhar em algo relacionado com animação, fiquei entusiasmada e fui em busca sobre mais informações de produções nacionais. Como estava acostumada a ser bombardeada de livros de artes de grandes estúdios, fui procurar algum livro nesse estilo que abordasse as produções no Brasil e descobri que praticamente não existia. Na época foi difícil conseguir o exemplar de "A experiência Brasileira no Cinema de Animação" do Antonio Moreno, que foi o conteúdo que consegui mais próximo do que estava buscando. Nesse processo descobri que era muito difícil conseguir informações sobre as produções nacionais, pois são dispersas e muitas que circulam são equivocadas. Por isso iniciei uma pesquisa independente e decidi eu mesma criar o livro que estava buscando.


Como é a estrutura dele para apresentar esse panorama de 100 anos?
No começo eu realmente queria fazer uma grande linha do tempo sobre todas as produções existentes, como um catálogo. Mas logo descobri que não ia dar certo, senão o livro seria uma bíblia e não daria para aprofundar de fato nas produções. Então eu decidi fazer um recorte desses 100 anos. Primeiro eu fui datando as produções e organizando-as em uma linha do tempo e dentro de minhas pesquisas separei a animação brasileira em 5 momentos, que são os 5 capítulos do livro: Origem, Um impulso, Experimentando, Expandindo e Contemporâneos. O livro segue em formato de linha do tempo, mas com os marcos, que são os capítulos, e em cada capítulo tem um compilado de produções que correspondem a época destacada.

Como foi a escolha dos curtas para representar esse panorama?
O objetivo do livro é mostrar como foram feitas as produções nacionais, o seu processo criativo, assim como os artbooks dos grandes estúdios. Como expliquei anteriormente o livro é dividido em cinco momentos da história, e em cada momento busquei destacar curtas/longas de diferentes técnicas e produção que conseguissem representar o momento da animação naquela época. Começa com as charges animadas, passa pelos pioneiros, animações de experimentação, comerciais e finaliza com os contemporâneos. Onde cinco diretores de diferentes técnicas e áreas são entrevistados e contam em detalhes sobre suas produções. Os entrevistados são: Marcos Magalhães, Kiko Mistrorigo, Paolo Conti, Alê Abreu e Rosana Urbes.


Como foi a recepção dos animadores entrevistados para o livro?
Todos que entrevistei foram super abertos e me receberam bem. Conheci seus estúdios e processos, foi bem inspirador.

Como foi a recepção do projeto no catarse? Esperavam alcançar esse sucesso todo?
O Catarse era meu "plano c" (risos), pois ele exige muito de quem cria a campanha. Ainda bem que tive ajuda de meu produtor Guto BR que me ajudou nesse processo de publicação independente. Eu acreditava que poderia dar certo, mas tinha um pouco de medo de morrer na praia. É um projeto que demorou mais de 3 anos para ficar pronto e o ano de lançamento tinha que ser esse, para comemorar o centenário. Eu esperava que as pessoas iam se surpreender com o projeto, mas não que iria ter todo esse sucesso, fico feliz que teve boa recepção e espero que todos gostem do livro. Fiz o livro que eu queria para estudo e referência sobre essa linda área: animação.


Você tem projetos de outros livros do gênero?
Quando comecei a luta para viabilizar a publicação e entrei mais em contato com a área de animação, sempre escutei que precisavam de mais mulheres animadoras na área. Acho que precisa sim, cada vez mais a mulher ter espaço na animação, mas acho também que já existem muitas animadoras e realizadoras na área e não escutamos falar muito sobre elas. E eu sentia na fala das pessoas como se precisasse ter mais mulheres na área por não existir mulheres na área. E isso me incomodou um pouco e eu tive uma ideia de fazer um livro sobre realizadoras/animadoras/diretoras da animação brasileira, é uma vontade/ideia que eu tenho, mas nada concreto ainda.


Você gostaria de falar mais alguma coisa ao nosso público fã de animação?
Gostaria de dizer que a animação brasileira é rica e cheia de experimentações e se o mercado está crescendo em abundancia agora é graças a paixão de muitos pioneiros que fizeram guerrilha para que a área existisse no país. Fico triste quando vejo muitas pessoas da área enaltecendo apenas o mercado internacional e nem sequer se interessa pelo próprio. Sendo que nos últimos anos o mercado internacional se interessou muito pelo Brasil, vamos ser o país homenageado ano que vem em Annecy! O Brasil está iniciando um mercado mas não fica pra trás não! E se você está estudando e quer entrar para a área, desejo sorte e dedicação e digo que existe mercado nacional sim!

29 de junho de 2017

Anima Mundi 2017: Rio terá versão extendida!!!

É isso mesmo que você ouviu querido leitor! O Anima Mundi 2017 ganhará mais dias no Rio de Janeiro.

Comemorando 25 anos, a edição de 2017 do festival promete muitas atrações como a presença de Robert Feng, responsável pela abertura da série Game Of Thrones, Robert Valley que foi indicado ao Oscar pelo filme Pear, Cider and Cigarretes e o veterano uruguaio Walter Tourier.

Reorganize sua agenda Animada, o Anima Mundi no Rio de Janeiro agora vai do dia 14 ao dia 23 de Julho! E a programação ja está completa no site oficial do festival!

26 de junho de 2017

Stil, mais uma estrela brilhando no céu animado brasileiro

Faleceu neste domingo, 25 de junho Pedro Ernesto Stilpen, o Stil.

Stil é uma referência da animação brasileira. Seu trabalho e paixão pela animação inspiraram e inspiram a muitos dos que hoje trabalham e produzem animação no Brasil.

Foi lá em 1968, que ,junto com outros cineastas (entre eles Antônio Moreno), Stil ajudou a fundar o grupo Fotograma com o objetivo de divulgar o cinema de animação no Brasil. Este grupo organizou diversas mostras internacionais de filmes de animação na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro. Podemos dizer que era o Anima Mundi décadas antes do Anima Mundi. Além do mais o grupo Fotograma também realizou um programa na extinta TV Continental sobre o mundo da animação.

Mas em 1969, o grupo, considerado subversivo, se extinguiu. Stil, que trabalhava como arquiteto numa empresa estatal foi demitido e aí decidiu largar a arquitetura pra se dedicar a aquilo que mais gostava: O Cinema de Animação. "Graças a ditadura eu deixei de ser arquiteto pra virar animador" disse ele em entrevista no documentário Luz, Anima, Ação.

E nesses mais de 40 anos, dedicado a arte da ilustração e do cinema foram inúmeros trabalhos: Curtas Metragens, roteiros de live-action e animação, livros, ilustrações, diversos personagens como a atrapalhada dupla detetives Antunes e Bandeira, Asdrubal, diversos dos "plim plims" da Rede Globo.


Rede Globo que aliás foi um dos lugares onde ele mais contribuiu com seu trabalho: Além dos Plim plims seu trabalho estava estampado em diversas atrações como: Faça humor não faça guerra, Satiricom, Armação Ilimitada, Domingão do Faustão e especiais de Lisa Minelli e Tom Jones.



Ainda como animador independente, sua contribuição foi valiosissima por sempre buscar técnicas baratas de produção utilizando papel de embrulho como suporte para o desenho de croquis animados com caneta hidrográfica, abrindo perspectivas para a utilização de outras técnicas: Assim foi nos filmes Status Quo (1968), Batuque (1969), Lampião ou pra cada grão uma curtição (1972), ABC (1978) e muitos outros filmes.


No ano de 2014, na terceira edição da Mostra Animação S.A. de Cariocas Animados, foi exibido o filme "Asdrubal em o que é que há com seu Peru" e Stil foi o homenageado da noite.



Mesmo após sua saída da Rede Globo a pouco mais de uma década, Stil nunca parou de projetar, de sonhar de trabalhar. E uma de suas últimas realizações foi roteirizar  o longa metragem "As aventuras do pequeno Colombo".



A partida de Stil entristece um pouco este ano do Centenário da animação brasileira. Afinal de contas muitos do que hoje estão produzindo nessa Pindorama animada tiveram valorosos ensinamentos deste grande e respeitado veterano da animação. Essas linhas aqui escritas representam muito pouco de sua grande contribuição. Mas nesta singela homenagem fazemos nossa reverência ao Mestre Stil!

Descanse em Paz querido amigo! Nós da família Animação S.A. somos eternamente gratos a você

25 de junho de 2017

Diário ANimado - Annecy 2017 - Dia VI (último dia)

Hoje vou falar sobre o meu último dia no Festival de Annecy 2017.

Não vi a sessão de encerramento, pois é para convidados, mas ela aconteceu no sábado mesmo, com sessões no domingo sobre os premiados. Então vamos lá!




Foram duas sessões de longas e uma de curta-metragem. 

Sessão de longas-metragens 1

In This Corner of the World

Direção : Sunao Katabuchi
País : Japão
Ano de produção: 2016
Duração : 02 h 09 mn
Técnica(s) utilizada(s) : 2D

A animação ao estilo tradicional japonês, inspirada no design mangá, então não há muito a dizer sobre o visual, sempre bem desenhado, fundo muito bem pintado e detalhado, com nada que pese negativamente na criação das imagens. Então vou à narrativa. A animação lembra o Cemitério dos Vaga-lumes (1988), de Isao Takahata. A história se passa em um momento difícil da história japonesa, um período que vai de antes a depois da 2a. Guerra Mundial. Suzie é uma jovem de Hiroshima, que deixa a família para se casar e viver com os pais do marido em outra cidade. O filme conta bem como era a região, as relações familiares, o respeito e a esperança dos japoneses em seu país. E o sofrimento, as perdas, a frustração com a derrota na guerra. Um filme pesado, apesar das cores sempre pastéis que aparecem na tela, mas bem feito. A história não é bonitinha.

Sessão de longas-metragens 2

Ethel and Ernest

Direção : Roger Mainwood
País : Reino Unido, Luxemburgo
Ano de produção: 2016
Duração : 01 h 34 mn
Técnica(s) utilizada(s) : 2D

Esta animação conta a história dos pais de Raymond Briggs (ilustrador britânico), Ethel e Ernest, duas pessoas comuns, da baixa classe trabalhadora de Londres, que se apaixonam, se casam, e passam por boa parte das mudanças sociais, culturas e políticas do século XX (mais ou menos, entre os anos de 1920 e 1960).

Como animação, é muito bem desenhada, como todos os detalhes arquitetônicos, de vestimenta, de objetos e decoração, que cobrem um período de tempo histórico considerável. Enquanto narrativa, foi bem elaborada, conseguindo mostrar as passagens de tempo e as mudanças de situação e pessoais de forma clara e sem ser maçante. Mas não há nada no filme, que não pudesse ter sido feito em live-action, mas é baseado na história em quadrinhos que Briggs, o filho, desenhou.

Sessão de Curtas 2

Zug nach Peace - Trem para a paz

Direção : Jakob Weyde, Jost Althoff
País : Alemanha
Ano de produção: 2016
Duração : 09 mn 52 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2DTécnica(s) utilizada(s) : Stop motion com objetos, Desenho sobre papel, 2D, 3D

A animação trabalha com imagem live-action. Conta a história de um iraquiano que vive em Berlim, e no metrô, vai refletindo sobre a situação de seu país, e a dele, um estrangeiro em outro lugar. Bom filme, com intervenções gráficas nas imagens reais, e imagens animadas com visual de xilogravura, preto e branco.

Tesla : Lumière mondiale - Tesla Luz Mundial

Direção : Matthew Rankin
País : Canadá
Ano de produção: 2016
Duração : 08 mn 18 s
Técnica(s) utilizada(s) : Stop motion com bonecos, Pixilation, outras, Live-action

Outra animação que usa imagem live-action. Com a história real de Nikola Tesla que em 1905 pede dinheiro ao seu ex-mecenas para financiar a mais extraordinária invenção: a criação de uma fonte de energia em escala mundial. Um bom filme, que soube utilizar as imagens de forma referencialmente inteligente - com efeitos do cinema de avant-garde do início do século XX, uma vez que a própria história real se passa no mesmo período.

Pépé le morse - Vovô Morsa

Direção : Lucrèce ANDREAE
País : França
Ano de produção: 2017
Duração : 14 mn 53 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D

Animação muito interessante, conta a história de uma família que por razões religiosas da avó, vai à praia "visitar o avô", que já está morto, como se fossem a um cemitério.
A relação da família, a mãe e os quatro filhos, é bem conturbada, e acham que a avó está meio "caduca", mas cedem à sua vontade. Coisas estranhas e engraçadas acontecem na praia, misturando drama e surrealidade. A animação em desenho é utilizada para dar forma a esses momentos, com personagens bem concebidos.

MeTube 2: August Sings Carmina Burana

Direção : Daniel Moshel
País : Áustria
Ano de produção: 2016
Duração : 05 mn 41 s
Técnica(s) utilizada(s) : Live-action

É um clip animado sobre a música de Carmina Burana, cantada por performances de rua. As animações acontecem nas interferências e adições sobre a imagem live-action. Visualmente interessante, parece uma grande apresentação circense, que desaparece em segundos.

Adam

Direção : Veselin Efremov
País : Dinamarca
Ano de produção: 2016
Duração : 05 mn 53 s
Technique
Técnica(s) utilizada(s) : Ordinateur 3D

Animação 3D de ambiente e história sem esperança, mostra um homem/robô se soltando de uma estrutura para adaptação biônica, em um laboratório. Em termos de 3D, é muito bem feito na recriação de um ambiente irreal mas que parece imagem filmada. Em termos de narrativa visual é deprimente, representando bem a condição do personagem.

The Full Story - A história completa

Direção : Daisy Jacobs, Chris Wilder
País : Reino Unido
Ano de produção: 2017
Duração : 07 mn 30 s
Técnica(s) utilizada(s) : Stop motion com objetos, Pixilation, outras

O curta conta a história de Toby que vende a casa onde passou a infância. Fatos e situações de sua vida são mostradas através da animação com objetos de forma bem criativa e envolvente. Também tem uma narrativa introspectiva e reflexiva, mas é um bom filme e uma boa animação.

Nothing Happens - Nada Acontece

Direção : Uri Kranot, Michelle Kranot
País : Dinamarca, França
Ano de produção: 2017
Duração : 11 mn 49 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel, Fotocópia

A animação fala da inércia, pois, literalmente, nada acontece. Através de desenhos, aparece uma cena de pessoas que se colocam em pé, em um a planície de neve, até formarem uma, massa, pois ficam todos juntos. Essa cena é entrecortada pela das árvores, onde pousam os corvos.
Com predominância de branco, preto, azul escuro e ocre, a câmera passa pelas pessoas, mostra seus rostos, todos com olhos esbugalhados, meio que esperando por alguma coisa.

Sprawa Moczarskiego - Caso Moczarski

Direção : Tomasz Siwinski
País : Polônia
Ano de produção: 2016
Duração : 05 mn 15 s
Técnica(s) utilizada(s) : Pintura sobre vidro

Animação forte. Baseado em uma história real, do jornalista polonês Kazimierz Moczarski. Membro da Resistência durante a ocupação nazista da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial e autor do livro "Conversas com o carrasco". Depois, ele foi perseguido, preso e torturado pelo governo comunista de Stalin, e reabilitado durante o período anti stalinista. Com predominância de preto, a pintura sobre vidro caiu muito bem na representação dessa história, com fluidez e dramaticidade. Muito boa animação, em todos os sentidos.

Nocna ptica - Pássaro noturno

Direção : Spela Cadez
País : Eslovênia, Croácia
Ano de produção: 2016
Duração : 08 mn 50 s
Técnica(s) utilizada(s) : Éléments découpés

Animação soturna, fechada. Mostra um animal - que pessoalmente me pareceu mais um tipo de gambá - estendido na estrada, à noite. Ouve-se um diálogo entre um homem e uma mulher sobre ele, mas os dois não aparecem na tela. Depois surge o personagem correndo, entrando em um carro e dirigindo por um tempo longo. A narração é sobre os pensamentos do personagem. Feita com recorte o curta é muito bem animado. Enquanto história fica aquela sensação de que ficou faltando algo -apesar de achar que a intensão era essa mesmo.


Impressão geral sobre o Festival:


É difícil resumir... mas vou tentar!

Destaco que escrevi o diário deste dia despois que soube da lista de premiados - foi divulgada no sábado mesmo - mas isso não interferiu no meu ponto de vista.


Alors,... como dizem os franceses... é um festival muito grande como já escrevi no primeiro dia. São 10mil pessoas (dados do festival) a mais na cidade, que tem uns 50mil habitantes. Então, é fácil entender que é difícil organizar e fazer com que tudo corra bem em todos os pontos de exibição e locais diversos ligados ao festival.


Mas também acontecem situação em que as características culturais se fazem presente. Mesmo ocorrendo alguns problemas causados por questões alheias ao participante, eles são pragmáticos. Assim, o problema acaba "sendo do" participante, pois ele vai ter que resolver sozinho.

Agora, um elogio: uma coisa muito legal é a quantidade de longas-metragens em exibição: nove em competição de 11 fora de competição! Infelizmente só tive como assistir a um deles...snif...

No geral, eu assisti a três sessões que achei muito boas - a Perspectivas 1 e as Sessões de Curtas-metragens em Competição 2 e 3. Mas não vi nenhum filme que eu pudesse dizer, "nossa, que animação!". O nível técnico de todas é muito equilibrado.

Em termos narrativos é evidente o momento de desesperança e de crítica ao modelo de vida e sociedade atuais. Assim como ficou claro a postura política do festival, na afirmação da liberdade de expressão, política, sexual, étnica, cultural, etc.

Comentando sobre os premiados do Festival, onde só posso falar do que eu vi - longas e curtas-metragens.

Obviamente eu tenho uma visão diferente da lista de premiados oficial. Acho que "Lu Over the Wall", para primeiro e mais importante prêmio de longa-metragem (Cristal), é fraco - comentei sobre ele no segundo dia. Tudo bem que ele usa a animação de formas mais solta, apesar de ser oriental, e com design de manchas para representar as lembranças. Mas isso, para mim, é pouco para levar o prêmio. Acho que ele tem que ser "bom" no conjunto. Enquanto história, “Loving Vincent”, “In this Corner of the World”, “Big Fish & Begonia”, ou mesmo “Teheran Taboo” são muito mais fortes. Os dois primeiros foram premiados respectivamente, com prêmio do público (realmente, eu ouvi muitos comentários sobre o filme, em filas e nas ruas da cidade) e do juri.

Quanto à premiação dos Curtas, eu também não acho que “Mon Börda” (The Burden) fosse "o melhor" para o primeiro prêmio, apesar de ser uma boa animação. Acho que “Caso Moczarski” (que vi no sábado), “Empty Space”, “After All”, “Kötö Kiz” (ganhou prêmio do juri), “Splendida Moaert Accident” (ganhou o prêmio de primeira obra) e mesmo “Manivald”, ficariam melhor como premiado principal.

Mas como se diz, "cabeça de jurado é caixa de Pandora..." E são muitos os motivos que levam uma produção a ser premiada, e isso ocorre em qualquer festival – o que nem sempre é evidente para quem somente assiste aos filmes.

Bem, eu me despeço esperando ter conseguido passar para vocês um pouco do que eu vi e vivi em Annecy, e ter 'animado" o amor de vocês por essa Arte.


Abraço a todos e muito obrigada pelo interesse! ;)

24 de junho de 2017

Diário Animado - Annecy 2017 - Dia V

Antes de falar mais sobre os filmes no meu quinto dia de diário animado, vou dar minha impressão sobre a cidade de Annecy.

É uma cidade no meio da França, situada no lado leste do país. É bem mais perto de Genebra que de Paris! Sua bandeira, inclusive parece a bandeira da Suíça, sendo que os braços da cruz branca de Annecy, dividem a bandeira em quatro quadrados vermelhos.

No verão, como agora, é bem quente: mais de 30 graus. E no inverno é frio. É aos pés das cadeias de montanhas onde fica o Mont Blanc – aquele “das canetas”.


Tem um lago lindo, de águas literalmente cristalinas, quase inacreditável! Dá vontade de voltar em outro momento só para curtir a cidade - pois isso eu não fiz, na correria de assistir às sessões.




Bem, vamos a elas!


Foram duas sessões de curtas e uma de longa-metragem.

Sessão Curtas Off-Limits
É uma sessão “
reservada aos curtas-metragens com foco na exploração, na inovação
e na experimentação”. Quase todos são não-narrativos, então vou me ater a uma pequena descrição e impressão sensorial do que vi.

Cinéma Emek, Cinéma Labour, Cinéma Travail - Cinema Emek, Cinema Lavoura, Cinema Trabalho

Direção : Özlem Sulak
País: France, Turquia
Ano de produção: 2016
Duração : 05 mn 15 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D, 3D

É uma animação que mostra como era o grande cinema Emek, em Istambul, que foi demolido em 2010. Ele começa com o teto da sala principal do cinema sendo desenhado por linhas que correm e montam todos os detalhes arquitetônicos do local. Era um ambiente grande e bonito. Como animação, pela própria proposta descritiva, acaba sendo um pouco cansativo.

Fuddy Duddy – Careta, antiquado

Direção : Siegfried A. FRUHAUF
País: Austria
Ano de produção: 2016
Duração : 05 mn 30 s
Técnica(s) utilizada(s) : Outras

O curta tem uma proposta filosófica: a luta entre o caos e a ordem. Visualmente vê-se – sendo bem simplista – várias imagens com quadrados brancos e pretos, de vários tamanhos, que se sobrepõem uns aos outros. Essa variação acontece em sincronia com a música, em frequências diferentes. Na mais intensa, têm-se a impressão de que se está olhando uma luz estroboscópica. Achei um pouco longo.

Johnno's Dead – A morte de Johnno

Direção : Chris SHEPHERD
País: França, Reino Unido
Ano de produção: 2016
Duração : 08 mn 26 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D, Pixilation, Rotoscopia, Outras
Trabalhando com uma mistura de técnicas, o curta mostra a agonia e o sentimento de injustiça e vingança de um homem condenado por um crime que não cometeu. Através de imagens em live-action trabalhadas com várias interferências, a narração vai contando os pensamentos do personagem. O filme reflete a agonia da situação.

Overlook - Ignorar

Direção : Pink Twins
País: Finlândia
Ano de produção: 2017
Duração : 05 mn 42 s
Técnica(s) utilizada(s) : 3D
Esta animação se inicia com uma cena parada, de uma nobre sala em estilo clássico, como se fosse feita de acrílico – é modelada em 3D. E começa a escorrer tinta vermelha pelas paredes, que cobre tudo. E isso ocorre algumas vezes. Também tem uma proposta filosófica. Mostrar uma ruptura espaço-tempo, e um certo horror. Particularmente, achei longo para a proposta.

Le Sentier – O Caminho

Direção : Hadrien dit Bhopal Bertuit
País: França
Ano de produção: 2016
Duração : 06 mn 35 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel
Através de diversas fotografias, é contada a história de alguém, seguida de uma narração. As fotos são centrada na tela. Estas então são pintadas de forma a tomar toda a tela com uma imagem completa. Proposta interessante, visualmente agradável, é praticamente documental.

Dix puissance moins quarante-trois secondes – Dez forças menos quarenta e três segundos

Direção : F Francis
País: França
Ano de produção: 2016
Duração : 13 mn 57 s
Técnica(s) utilizada(s) : Ordinateur 3D, Pixilation
Este curta-metragem trabalha a partir de imagem filmada slow-motion, e 3D – o homem e o universo – com trilha sonora própria, como se fosse um som aberto, durante todo o curta. A narração vai refletindo sobre a questão do tempo da vida, do instante, da finitude.
Foi a animação que ganhou o prêmio da categoria.

1960 :: Movie :: Still

Direção : Stuart POUND
País: Reino Unido
Ano de produção: 2016
Duração : 02 mn 11 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D
A animação é criada a partir de imagens do filme "L'Avventura" (1960), de Michelangelo Antonioni, especificamente, com as imagens de Monica Vitti. Dividindo a tela em 10 partes, as cenas do filme se passam de forma sequencial. O que dá um resultado e um movimento geral bem bonito e interessante. Lembram o flipbook e o efeito de caleidoscópio.

A Photo of Me – Uma foto de mim

Direção : Dennis Tupicoff
País: Australia
Ano de produção: 2017
Duração : 10 mn 48 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D, Photos, Rotoscopia, Live-action
É um curta introspectivo, em preto e branco, de um homem que reflete sobre sua vida, desde a infância através de suas fotografias. A narração vai ancorando e dando sentido às imagens. Um pouco longo para o tipo de proposta.

La Bêtise – A Estupidez

Direção : Thomas Corriveau
País: Canada
Ano de produção: 2016
Duração : 06 mn 45 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel, Rotoscopia
Outra animação em preto e branco, que aborda a questão da guerra e da violência. Inspirada nas gravuras Os Desastres da Guerra (1810-1815), de Francisco de Goya, mostra dois personagens que se agridem, numa violência hipnótica.

Orogenesis

Direção : Boris Labbé
País: França
Ano de produção: 2016
Duração : 07 mn 45 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D, Ordinateur 3D, Photos
A animação mostra em 3D a possibilidade de movimentação do plano terrestre, com a criação e alteração de montanhas. É bem atrativo, com trilha sonora coerente com as ações, mas um pouco longo demais, o que “quebra” a intensidade das imagens.

Hand Colored no.2 – Pintado à mão n.2

Direção : Lei Lei, Thomas Sauvin
País: China
Ano de produção: 2016
Duração : 04 mn 52 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel, 2D
Os artistas criaram essa animação a partir de 1168 fotografias em preto e branco achadas em mercados de pulgas chineses. Através das pinturas dessas fotos, eles se perguntam sobre a vida dessas pessoas. Proposta envolvente e visualmente alegre.

Sessão de Curtas 4

Splendida Moarte Accident – Esplendida morte acidental

Direção : Sergiu Negulici
País: Romênia
Ano de produção: 2016
Duração : 15 mn 05 s
Técnica(s) utilizada(s) : Stop motion com objetos, Desenho sobre papel, 2D, 3D
Em uma loja de antiguidades, um homem encontra uma carta de amor de 70 anos, atrás de um desenho. Ele começa a procurar o autor e “viaja” por momentos importantes da história do século XX. Muito bonita, atrativa. Pelas metáforas que cria e pelo ambiente. A passagem de tempo acontece dentro de um trem. Como se o personagem andasse dentro deste, passando pelos vagões e pelo tempo. Os personagens são como bonecos feitos de papel. Vale à pena assistir.

Kosmos

Direção : Daria Kopiec
País: Polônia
Ano de produção: 2016
Duração : 02 mn 35 s
Técnica(s) utilizada(s) : Massinha
Fazendo uso de bonecos, a animação aborda a questão da atratividade dos corpos. Mas não em “envolveu”.

Airport - Aeroporto

Direção : Michaela Müller
País: Croácia, Suiça
Ano de produção: 2017
Duração : 10 mn 34 s
Técnica(s) utilizada(s) : Peinture sur verre
Através da pintura sobre vidro, de forma que a direção das largas pinceladas vão formando as imagens, a animação vai mostrando diversas situações que acontecem em um aeroporto. Imagem inteligente, pois até pela situação, sempre há uma correria, a utilização das pinceladas reforça a ligeireza das ações. Mas achei que se fosse mais curta, como narrativa, seria melhor.

L'Ogre – O Ogro

Direção : Laurène Braibant
País: França
Ano de produção: 2017
Duração : 09 mn 41 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D
Através do desenho caricato, o curta conta a história de um homem muito grande (ele é um ogro) que em um restaurante, não para de comer. Assim, ele assusta as pessoas, mostrando seu verdadeiro eu. Lembra o filme O Sentido da Vida (1983), de Monty Python. O visual é sinuoso, com linhas finas e colorido aquarelado. Personagens e cenário se movem de acordo com a cena, e isso cria um efeito atraente às imagens do filme.

Kutxa beltza – Caixa Preta

Direção : Izibene Oñederra, Isabel Herguera
País: Espanha
Ano de produção: 2016
Duração : 07 mn 10 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel, 2D, Outras
Animação surreal, do tipo que te deixa com uma interrogação. Começa com um desenho de traços finos, colorido à caneta e aquarela, com predominâncias de brancos de verdes. A cena de uma van que chega a um condomínio de prédios, e o entregador vai fazer uma entrega. Mas em um dos apartamentos, há uma senhora com seu gato preto. O visual é totalmente diferente: traços grossos, displicentes, azuis, vermelhos, com predominância de preto. Surgem diversas cenas de guerra, elementos africanos, cemitério... Ao final, o entregador leva uma caixa... mas não vou contar o resto.

Valley of White Birds – O Vale do Pássaro Branco

Direção : Cloud Yang
País: China
Ano de produção: 2017
Duração : 14 mn 16 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel, 2D
Desenho muito bonito, colorido, e bem oriental. Metafórico, o curta conta a história de tipo de rito de passagem. A relação homem-natureza através de belas imagens. Muito bem animado, poderia ser mais curto, isso daria mais força à história.

Dead Reckoning – Navegação Estimada

Direção : Paul WENNINGER, Susan YOUNG
País: Austria
Ano de produção: 2017
Duração : 02 mn 47 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D, Pixilation

A animação fala também da finitude da vida, através de imagens da vida cotidiana e da vida de uma cidade. Com imagens em Pixilation de Viena, o filme mostra com interferências em desenho, a morte sempre presente. É curto, e por isso perfeito na proposta.

Kötü Kiz – Menina Malcriada

Direção : Ayce Kartal
País: França, Turquia
Ano de produção: 2017
Duração : 07 mn 59 s
Técnica(s) utilizada(s) : Desenho sobre papel

Animação forte. Baseado em uma história real, mostra uma menina que conta em narrativa seus pensamentos e momentos de vida, enquanto as imagens oscilam entre suas lembranças boas e ruins. Com desenhos correspondentes, “fofos”, infantis, coloridos e grotescos, fortes, medonhos. Fica claro o ataque a menina, mas de forma indireta, pela conclusão do público. Muito boa.

Contact

Direção : Alessandro Novelli
País: Espanha
Ano de produção: 2017
Duração : 07 mn 53 s
Técnica(s) utilizada(s) : 2D


E outro filme filosófico. Através de uma viagem interior, uma mulher se questiona sobre a vida e o sentido das coisas. Com imagem em traços em branco e fundo preto, várias situações metafóricas e surreais vão se sucedendo com a narrativa dos pensamentos da personagem, onde ela mesma perpassa por esses ambientes. O texto é muito bom, mas como animação, é o mesmo caso: poderia ser um pouco menos longa.

Sessão de longas-metragens 2

Tehran Taboo – Tabu de Teerã

Direção : Ali Soozandeh
País: Alemanha
Ano de produção: 2017
Duração : 01 h 36 mn
Técnica(s) utilizada(s) : Rotoscopia
O filme conta várias histórias pessoais dentro de um bom roteiro, sem final feliz. É um bom filme, participou do Festival de Cannes, e é claramente uma crítica à sociedade iraniana. Mostra a dura vida das mulheres – apesar de lá, elas poderem estudar – que precisam de uma aprovação por escrito do marido (ou pai) para tudo, inclusive trabalhar fora. Fala sobre as drogas, o sexo, a corrupção, a falta de esperança, etc. Por essa razão, o título: coisas que não se falam, coisas proibidas. É uma produção alemã de diretor iraniano.
Quanto ao visual, é de linhas retas grossas e com contrastes de cor e de claro-escuro. Não há como não se lembrar de Valsa com Bashir (2008), outro drama sobre o Oriente Médio. Porém, há vários momentos do filme em que a “rotoscopia” não parece rotoscopia, mas efeito de filtro de algum software. Isso “me tirou” do filme. É imagem real. E quando aparece o gato preto (que vive nos arredores do prédio onde se passa boa parte da história), há uma “briga”, pois o gato foi animado, não muito bem, em 3D.
Em termos de “ortodoxia” sobre o uso da animação para se contar certas histórias, realmente não há nada que “justifique” o uso da rotoscopia ou qualquer outra técnica animada, ao invés de live-action. Porém o diretor defende a utilização da rotoscopia pois, queria falar de uma realidade do país, mas não tinha como filmar lá, então foi uma boa forma de representar a história, o mais fiel possível à imagem real.


Resumo da ópera:
Mais um dia de filmes que refletem a falta de esperança que impera nos nossos dias.  Em termos de criatividade, não vi nada “maravilhoso”, mas uma tendência a se misturar técnicas. O digital, apesar da aura tecnicista em termos de “máquina”, de visual e técnico, matemático, também carrega “um bocado” de inventividade. A experimentação dessas novas formas de “fazer”, mescladas à forma tradicional, estão em alta.